Em treze anos, a população de onças-pintadas no Parque Nacional do Iguaçu, no interior do Paraná, mais que dobrou. Um dos nomes por trás desse esforço bem-sucedido para recuperação do maior felino das Américas na Mata Atlântica é o da bióloga Yara Barros, coordenadora do projeto Onças do Iguaçu nos últimos sete. Em reconhecimento ao seu trabalho, a brasileira recebeu nesta quarta-feira (30) o Prêmio Whitley 2025, concedido pela organização britânica Whitley Fund for Nature (WFN).
Os frutos do trabalho de Yara, tal qual o prêmio que acaba de receber, vão além das fronteiras do país. Se do lado brasileiro, no Parque Nacional do Iguaçu, a população de onças-pintadas saltou de apenas 11 para 25 indivíduos em 13 anos; no mesmo período, o corredor internacional de Mata Atlântica que liga as florestas do Brasil e da Argentina também viu esse número crescer, de 40 para 93. Ao todo, o corredor soma 260 mil hectares de florestas protegidas, incluindo os 185 mil hectares do parque brasileiro.

Com os números do felino em crescimento, um dos focos da bióloga é prevenir conflitos entre este predador de topo e as comunidades. “Um dos nossos objetivos é transformar o medo em fascínio, e nós estamos ativamente trabalhando pela coexistência entre onças e humanos”, explica Yara.
Somente ao redor do parque vivem cerca de meio milhão de pessoas, em dez municípios. Desde 2018, por meio do projeto Onças do Iguaçu, já foram visitadas mais de 2 mil propriedades rurais. A conversa com os moradores tem como objetivo mudar a visão sobre a onça e instruí-los a entrar em contato, caso haja algum acidente relacionado ao felino, como a predação de animais domésticos. Desde então, o time de Yara já lidou com 137 episódios de predação, prevenindo conflitos.

O projeto também tem investido em ferramentas para prevenir as predações, como um sistema de luzes movido por energia solar, que afastam a onça da propriedade.
“Diante das mudanças climáticas e da acentuada perda de biodiversidade, a conservação das onças-pintadas é um o estratégico para garantir a resiliência dos ecossistemas e do bem-estar humano”, afirma Yara.
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